Sábado, 10 de Setembro de 2005
Acordámos à hora planeada. Tomámos o pequeno almoço e agarrámos um taxi em direcção ao aeroporto. Desta vez chegámos bem a horas.
Durante o vôo, que durou uma hora e meia, mostraram a série “Gente Gira” que antigamente era série obrigatória em aviões e que agora raras vezes passa. Como antigamente, deu para dar umas boas gargalhadas.
À chegada estavam o irmão e irmã do Jason à nossa espera assim como o seu sobrinho, de nome inglês Jacksson.
Fomos para casa dos pais do Jason aonde nos esperava um almoço preparado pela mãe.
A casa era modesta de uma familia da classe média. Para além dos pais, viviam lá a irmã, o cunhado e o Jacksson.
Depois de tirado os sapatos e de me terem dado uns chinelos 5 números abaixo (os pés dos chinese são geralmente mais pequenos), lá entrei e sentei-me à mesa. A comida estava um espectáculo. A mãe do Jason, com a ajuda de uma empregada de origem japonesa tinham mesmo talento para a cozinha e prepararam vários pratos, que incluíam sobretudo marisco, que em Dalian era abundante e barato.A seguir ao almoço, saímos para conhecer a outra casa dos pais, uma casa que eles tinham remodelado recentemente e que tinha melhores condições. Era nessa casa que os pais do Jason viviam desde à uma semana atrás e aonde nós iríamos ficar.
Esta nova casa era um espectáculo. Localizada num 2º andar, possuía dois quartos, uma cozinha na marquise, uma casa de banho pequena com chuveiro no meio do espaço, sala de jantar e lavandaria na entrada. Tinha uma arquitectura diferente mas era castiça e tinha acabamentos de luxo elevado. As cama eram de melhor nível com colchões cheios de cerdas de rabo de cavalo..... dura como cornos.... mas camas duras nunca me assustaram pelo contrário..... sou capaz de dormir numa laje de cimento sem problemas.
A seguir fomos visitar a principal praça de Dalian. Localizada junto à costa, esta é a maior praça de toda a Ásia, com um tamanho maior que a área do parque da cidade do Porto. Em frente ao
mar estava um monumento que lembrava um livro aberto para onde as pessoas subiam para verem o mar e a praça. A praça tinha vários jardins, com muitas pessoas a passear, a fazer desporto e a voarem papagaios de papel. Dos lados, vários edifícos mostravam uma arquitectura muito variada, com o esplendor de um castelo que tinha sido construído não muito tempo atrás e que agora alojava um museu. O Jason informou que a cidade não permite a construção de novos edifícios ali e outras partes da cidade que não possuem algo de único no seu design para evitar a monotonia arquitectónica de outras cidades. O centro comercial era um coloso
de vidro e alguns edifícios pareciam-se com o French Quarter de Nova Orleans! Nesse fim de semana Dalian era palco de um dos maiors eventos de moda com o Asian Fashion a acontecer precisamente nessa praça. Infelizmente não tínhamos bilhetes para ir.
Alugámos bicicletas e pedalámos ao redor de toda a praça, visitando a marina, vários complexos urbanos, os passeios pedonais, a praia, o livro, o castelo, etc. Fantástico. As pessoas têm uma inclinação para o lazer que desconhecia existir na China.
Para o jantar voltámos à casa antiga dos pais aonde a mâe preparava mais uns pratos novos. Desta vez experimentei alforreca que parecia borracha, mas sabia bem.
À noite saímos todos juntos, incluíndo os pais e a empregada. Fomos a uma praça localizada no meio da cidade aonde havia actividades de lazer. Um grupo de pessoas dançavam ao som de uma música chinesa que saía de uma aparelhagem portátil pousada no chão. Idosos, adultos e jovens dançavam em sintonia numa coreografia combinada. Os passos não eram muito difíceis mas eram rápidos. Algumas das pessoas estavam a suar por todos os lados, sobretudo os jovens que com aquela dança tentavam impressionar as meninas. Eram dez da noite e os jovens dançavam num bailarico de rua para impressionar. Afinal aonde ficam os bares e as discotecas? O Jason respondeu que os bares e discotecas não existiam até à bem pouco tempo e isto era a forma das pessoas se divirtirem! Bom, lá fomos para o meio.... e claro não impressionamos ninguém.....
No meio da praça um grupo de jovens patinavam com uns patins de duas rodas lado a lado na zona do calcanhar. Ao rodar as rodas emitiam luzes o que dava um efeito engraçado à noite. No chão várias garrafas de água estavam dispostas em linha para os desafiar nas suas chicanes. Fui desafiado a experimentar e não pude negar. Após alguns minutos estava eu... na mesma.... aquilo não é fácil.
Um bom bocado depois, o grupo separou-se. Os mais idosos e novitos foram para casa. Os outros foram para a discoteca. Ahhhh, afinal sempre há discotecas e bares....
Num país em tanta mudança como a China os bares começam a aparecer nas cidades mais dinâmicas. Dalian é uma cidade virada para o lazer e com uma população ainda muito jovem. As pessoas vestem-se bem, tratam-se bem, gostam de sair e divertirem-se. Sair à noite para um bar e discoteca, mesmo para as raparigas, já não tem a conotação negativa que dão em outras cidades da China. Dalian recebe muitos turistas, vindos de outras partes da China (mas sobretudo de Pequim que é relativamente perto), da Coreia e da Rússia.
A discoteca “Bananas” estava cheia. A proporção rapazes-raparigas pendia para o feminino, o que admirou-me. A pista estava cheia. Haviam grupos de pessoas a fazerem shots e a divirtirem-se à brava. Não faltou muito para estarmos na pista.
As pessoas olhavam muito para mim, pois era um dos poucos não-asiático na pista de dança. Para ajudar a ser notado eu era uns centímetros mais alto que a média. No início sentí-me pouco à vontade, mas essa sensação desbateu-se à medida que a noite avançava.
A música incluía um bocado de tudo: música chinesa, inglesa, americana, pop, rock, teckno. O espirito das pessoas era bestial com todas as pessoas a dançar como se fosse a última vez, sem qualquer preconceitos. Alguns subiram para as colunas e palco.
Uma rapariga começa-me a acenar para eu chegar perto dela. Eu achei que não era nada comigo e não liguei. Ela insistiu e agora fingi que não era nada comigo. À terceira, acenei-lhe de volta e ela sorriu. Bom..... era mesmo comigo que ela se estava a meter. Continuei com a minha dança com o grupo com que estava. Nisto um rapaz agarrou-a por trás e eles dançaram juntos...... como é? Afinal tinhas namorado e estavas a acenar-me..... menina marota..... não devias fazer isso pensei..... qual quê? Mesmo com o namorado ela continuava a acenar-me para chegar perto dela..... cum carago...... estas chinesas são cá umas maradas......!
No final da noite estava satisfeito. Tinha dançado e divirtido-me como já não fazia a algum tempo, sem grandes planos e sem preconceitos.

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