Friday, April 07, 2006

Domingo 11 de Setembro, 2005
Acordámos tarde. Os pais do Jason à muito que estavam a pé.
A mãe do Jason preparou-nos um pequeno almoço com pão chinês, ovos cozidos, peixe e bambu. De início tinha comprado pão de forma e geleia (ao estilo ocidental) a pensar que era isso que eu queria comer. Mas não. Eu queria era a comida chinesa. Portanto, como tipicamente se faz na familia do Jason o pequena almoço consistia do pão, ovo e o resto do jantar do dia anterior.

Comunicar com a familia do Jason era complicado. Eles não sabiam falar inglês, português ou espanhol e eu não sei falar mandarim. Daí que o Jason tinha que traduzir qualquer coisa mais elaborada que eu quisesse transmitir. Aos poucos, fui aprendendo como se dizia as coisas mais básicas como casa de banho, prato, água, para além do obrigado, olá, bom dia, etc. Mas com um vocabulário tão limitado era impossível qualquer conversa.

Saímos com a irmã do Jason que queria levar o filho às aulas de inglês. Reparem que estavamos num Domingo e o rapaz de 9 anos tinha aulas de inglês e violino! Enquanto esperáva-mos que o Jacksson termina-se a aula fomos a um “internet caffee” para checkar os emails. O Jason sentou-se logo ao lado de uma rapariga com a qual começou conversa amena. Mesmo antes de checkar os seus emails já mexia no computador dela..... porra para este gajo, qual Don Juan da Ásia.
Dali fomos almoçar, desta vez a casa do irmão do Jason que vive num complexo de apartamentos de alto nível e com muita boa localização. O complexo inclui courts de tenis e piscina.
O irmão do Jason trabalha na alfândega de Dalian e, como funcionário público da China, tem um ordenado bom, uma vida regalada e assegurada e muitas regalias. Estes empregos são difíceis. No entanto, o pai do Jason trabalhava na alfândega antes de se reformar e ajudou a colocar o seu filho e filha. Tipicamente eles trabalham das 9h00 até às 17h00 sem stresses. Se quiserem dar uma saltada fora podem fazê-lo sem problemas.
O apartamento era enorme com uma sala que deveria ter quase 100 m2! Tinha umas vistas soberbas para o mar.
O almoço foi curto para podermos sair o mais rapidamente possível para visitar mais coisas em Dalian que a familia do Jason queria mostrar-me. Sem dúvida, esta familia não poderia ser mais hospitaleira.

Fomos até à praia. Eu, o Jason, o pai e o irmão. A praia era relativamente pequena, com cerca de um quilómetro de extensão e uns 50 metros de areal. Havia muitas pessoas, tanto na areia como na água. O dia estava bom e quente. A água deveria estar boa também. Infelizmente náo havia trazido os calções de banho e fiquei-me pelas vistas. Mas caminhámos pela areia. As pessoas estavam animadas. Ao pé da água, alguns recém casados tiravam fotos. Vestidos de branco, ambos a noiva e o noivo, os vários casais tiravam fotos que para os ocidentais era inconsebível. Alguns sentavam-se em cadeiras em frente a uma arpa de música ou a um piano! A noivas traziam asas de anjos presas no vestido. Outras arregassaram o vestido e entraram com os pés no mar, para cima de uma pedra para possar para a câmara. Uma delas quase que mergulhava na água. É tradição, que nos casamentos se tirem fotos como se do paraíso se tratasse. Uma amiga minha e o seu noivo, passaram um dia inteiro dentro de um estúdio de fotografias aonde vestiram 10 vestidos e fatos diferentes. As fotos era fabulosas. Eles pareciam que pertenciam a uma familia real. Mas, aquelas fotos na praia parecia coisa melosa demais para para mim. Tentei imaginar-me vestido de branco, sentado numa cadeira branca com os pés na água do mar a tocar violino...... mas não consegui.... mas nunca se sabe.... a vida dá voltas…..
Na praia havia muitos monumentos relacionados com o mar. Várias réplicas de caravelas feitas de madeira, quase reais se não fosse pela sua escala reduzida a meio. Uma enorme tartaruga encontrava-se no meio do areal. Uma enorme cascata de água caía na colina por de trás da estrada de acesso à praia. Gostei muito do ambiente. Houve muito planeamento e cuidado na preparação daquela praia e parecia que os utentes estavam satisfeitos e orgulhosos do resultado.
Da praia fomos jantar a um restaurante. O nível do restaurante era alto. A comida era maravilhosa. Havia vários tipos de peixes, carnes, enchidos, vegetais. Foi um banquete e tanto. Havia tanta comida que era difícil movimentar as travessas. A mesa tinha um tampo rotativo no meio que ia rodando para que servísse-mos das travessas aos poucos para as nossas tijelas. Estas estão geralmente cheias de arroz que se vai comendo aos poucos. Engraçado que tinha a noção que os chineses comiam arroz com abundância. Foi outro mito que vi desmentido, pelo menos em Pequim e Dalian. Come-se o arroz, mas aos poucos e quando se come bem, come-se muito mais carne e peixe do que o arroz. O arroz é um acompanhamento e claro, em regiões mais pobres come-se relativamente mais arroz que em familias abastadas. Por isso, nos restaurantes chineses do acidente dá-se muito arroz, no fundo estão a a dar algo mais barato para encher e poupar o que realmente é tido de bom que é a carne, o peixe e outras iguarias.
Comeu-se bastante. No final havia tanta carapaça de camarão e lagosta nas mesas que parecia mentira.
Quase tudo se come com as mãos e até trouseram algumas luvas plásticas para a mesa que recusámos. As minhas mãos estavam tão besuntadas que tive que usar o lava mãos várias vezes a meio do jantar. A comida estava um espectáculo. A cerveja foi desaparecendo uma a trás da outra a ritmo dos brindes que são muitos. Aprendi que antes de se beber tem-se que brindar (gambé). Mais do que duas goladas sem brinde é considerado má educação. E claro, quando se brinda bota-se abaixo. Daí as cervejas desaparecerem num instante. O que vale é que era fraquinha.

Depois do jantar apanhámos o auto-carro de volta a casa. Foi o primeiro autocarro que usei na China. Era muito baixo e tive que me abaixar para não bater com a cabeça no tecto. Não tinha luzes e só víamos com as luzes que entrava pelos vidros vindas da rua.

Fomos a casa trocar de roupa e prepararmo-nos para voltar a sair à noite. Não estava esperançado que num Domindo à noite fossemos encontrar algum sítio aberto, muito menos animado. Mas estavamos de férias e não tínhamos nada a perder.
Fomos a outro “Bananas” que por voltas das 22h00 estava meio vazio: a pista de dança fechada e as mesas mais ou menos compostas. Estava-se melhor do que eu esperava. O racio rapariga-rapazes tendia para infinito o que era pouco usual no meu passado. Sentámo-nos a uma mesa e pedimos 12 cervejas para os três (o primo do Jason também estava connosco). Ao lado, numa outra mesa, duas meninas olhavam para nós. Já estava eu como o meu western look a atrair olhares. Desta vez acenei mesmo antes delas o que elas gostaram. Acendi um cigarrito e dei umas baforadas. Hmmmmm, parecia que tinha voltado aos tempos de faculdade, Inglaterra, Califórnia. Senti-me bem e rebelde. Bebemos duas cervejolas e fui para a pista mais o Jason para nos juntar a algumas pessoas que estavam já a dançar a um elevado ritmo. Estava a gostar do ambiente asiático, pelo menos daquelas bandas. Os jovens eram super liberais e queriam curtir.
Não tardou para o Jason fazer um “scan” à pista e se juntar a um grupo de meninas. Daí a bocado estava a dançar com uma rapariga. A amiga juntou-se a mim. Parecia estar interessada ou apenas curiosa. Erámos totalmente diferentes. Eu sou alto e ela não deveria ter mais de 1.55m. Ela era nova, se calhar com menos de 18 anos. Se eu lhe dissesse que tinha 30 anos e era casado ela de certeza que saíria dali a correr. Mas deixei-me estar. Estavamos a dançar e eu estava a gostar daquele feeling de me deixar levar pela música teckno. O Jason já tinha uma filosofia mais agressiva. De certo que estava também a esconder a sua idade de 31 anos.
Ao fim de um bocado, notei que a menina com quem dançava estava a aproximar-se muito e decidi bater em retirada. O Jason quase que me fuzilou com o olhar. As coisas estavam a correr-lhe bem e a minha saída do grupo significaria uma menina descalçada que provalvelmente acabaria por sair da pista de dança levando a sua “presa” embora. Como o compreendi. Noutros tempos tive muitas situações dessas aonde uma estratégica combinada e executada a dois resulta muito melhor do que duas em separado. Mas não estava a gostar do aperto e preferi ir beber uma cerveja à mesa aonde se encontrava o primo dele.
Sentei-me, servi-me de mais uma cerveja e acendi outro maroto. As meninas da frente voltaram a reparar em mim. Ao reparar que elas fumavam, decidi oferecer-lhes um cigarro ao qual elas retribuíram com um convite para sentarmo-nos com elas. Carago, noutros tempos (os mais necessitados) estas delicadezas nunca funcionaram.......
Elas eram bem simpáticas e começaram logo a falar connosco. Eu abanei sempre a cabeça a dizer que sim e elas falavam ainda mais. Só passado uns bons minutos é que se deram conta que eu não estava a falar muito e notaram que eu não sabia falar mandarim. Ficaram danadas e recusaram-se a falar em inglês, mesmo sabendo falar um pouco. Queriam que eu aprende-se a falar chinês o que consenti. Ao fim de uns minutos notaram que era inútil sobretudo com a misturada das palavras e música teckno. Mas continuamos a brindar sempre que bebíamos cerveja e isso manteve a amizade.
De repente o Jason passa pela nossa mesa a fumegar em direcção à mesa aonde estávamos. Nem reparou que tinha passado por nós. De certo tinha perdido a rapariga e ia agora despejar em mim..... Quando reparou na mudança deu uma longa olhadela nas novas companhias e não conseguiu evitar uma gargalhada. Pronto, e vem ele.... não demorou 5 minutos para sair com uma das raparigas para a pista de dança. Eu segui-o com a outra. O primo ficou novamente sozinho, mantendo a estratégia de grupo intáctica: a parte dele era a de guardar a mesa das cervejas para nós termos um ponto de descanso e refrescamento!
Na pista a coisa ia mesmo animada. Estava completamente cheia de pessoal no maior desvario. O ritmo da música e algum alcoól sentia-se por todo o lado. Nunca me passou que num Domingo, a noite podesse ser tão animada.
O Jason e a nova amiga dançavam freneticamente e dirigiam-se para o palco. De arrasto eu e a outra menina também fomos. Lançamo-nos lá para cima. Se alguém ainda não tinha reparado em mim, não havia dúvidas que agora toda a gente sabia que havia ali um ocidental. Reparei que não era o único. Havia por ali alguns russos.
O Jason, deixou a linha da frente do palco e escondeu-se a trás para melhor gozar aquele momento. As coisas que este gajo faz..... sstt....sstt não havia necessidade.
A noite no “Bananas” durou mais umas horitas, umas cervejas e os cigarros já estavam a acabar. Parecia irreal. Até custou a sair dali.
No entanto, antes de voltar-mos para casa ainda paramos num restaurante para comer alguma coisa (ao estilo da Relote do Vitor na Foz). Depois fomos para casa. Já passava das quatro da manhã, estava cansado e cheirava a fumo por todos os lados. Tal e qual como antes.
Tomei um banho ao mesmo tempo que descansava sentado na sanita da casa de banho minúscula da cada dos pais do Jason, e depois fui deitar-me sobre o pedregulho de cernas de cavalo.

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