Domingo, 04 de Setembro de 2005
Às 5h30 minutos acordei para não adormecer mais. Portanto, a primeira noite durou 4 horas ou menos.... às 6h00 levantei-me e o Bahnfleth já estava no computador! Mas não por muito tempo. Saímos e fomos dar uma volta a pé nas vizinhanças do hotel. Queríamos conhecer o local e também encontrar uma zona aonde podessemos dar umas corridas.
À frente do hotel, havia um parque jeitoso, embora fosse proibido correr no relvado. Por trás do hotel ficava o complexo desportivo que albergou os Asian Games de 1990, uma espécie de Olimpiadas apenas para a Ásia. De facto, a zona aonde nos encontravamos era a Asian Games Village com vários hoteis à volta. Ou seja, estavamos situados numa zona prestigiada de Pequim.
Caminhamos cerca de 1 hora e deparamos com um centro desportivo que apesar de possuir bons espaços para prática do deporto, tinha os espaços de apoio ao seu redor abandonados. No entanto, assim como nós, havia muitas outras pessoas a caminhar e a fazer exercicios fisicos, mesmo àquela hora da manhã.
Voltamos ao hotel para esticar os músculos e tomar um banho antes do pequeno almoço.
Depois, fizemos o registo da conferência e encontramo-nos com o Qinpeng (marido da minha amiga Yazhuo) para ele nos levar à Universidade Tsinghua (uma das melhores universidades da China) para uma visita técnica a um edifício verde e um passeio ao campus universitário.
O campus universitário de Tsinghua é extenso. Tem bastantes espaços verdes o que faz com que pareça mais com um parque. Os edifícios são grandes e austeros, bem ao estilo soviético, que certamente inspirou a arquitectura de muitos edifícios por ali. Existe um pequeno riacho que corta a universidade a meio, aonde crescem lilly pads. No centro encontra-se o portal da entrada para a universidade. Embora não sendo o portal original (que foi destruído durante a revolução cultural de Mao Zedong (1966-69)), tem o mesmo formato mas a uma escala ligeiramente reduzida. Vimos também alguns parques tranquilos aonde se localizavam algumas pagodas. Tudo muito bonito, tudo muito verde. O ambiente é tranquilo e só interrompido ocasionalmente pelas campaínhas das muitas bicicletas que passavam.
Ainda antes do almoço encontramo-nos com o Alex e o Jason. O Alex é um amigo de State College que conheci à 3 anos atrás no clube de karate Shotokan da universidade. Ele licenciou-se em Filosofia e Estudos Asiáticos e é um apaixonado pela China. O Jason é um dos meus melhores amigos dos EUA. Também conheci-o na universidade quando ele se juntou ao departamento (Architectural Engineering) para fazer um pos-doutoramento em inicio de 2003. Agora, trabalha em Nova Iorque numa das mais conceituadas empresas de projectos de architectura e engenharia (TT Group). Apesar do nome Jason ele é chinês e o verdadeiro nome é Junhui Jia. O Jason é de Dalian uma cidade a uma hora de avião de Pequim. Ele encontrava-se em Pequim para primeiro renovar o visto de entrada aos EUA antes de se encontrar com a familia.
Depois deste encontro, fomos almoçar num restaurante muito fixe na universidade.
A Yazhuo tomou a liderança e começou a pedir diversos pratos para experimentarmos o máximo de variedade possível. A comida era uma delícia. Os pratos, dispostos à volta de uma plataforma giratória no meio da mesa, eram bastantes coloridos e parecia um show de gastronomia. O sabor era um espectaculo. Finalmente provei o famoso pato à Pequim (que melhor sítio para experimentar?) e era bem melhor do que eu alguma vez tinha experimentado.
O menu estava escrito em chinês (mandarim) e traduzido para inglês. Algumas traduções devem ter sido feitas por algum software automático porque nem sempre correspondia ao chinês escrito..... Um exemplo era o prato: “Nutrient Cup of Deer Penis with Gingseng”!!! Bom, pelo sim pelo não, não encomendamos esse prato. Experimentamos pela primeira vez a cerveja Tsing Tsao. Depois de levar um bocado de tanga por preferir panachê a uma cerveja, decidi experimentar o Tsing Tsao puro e acabei por gostar. É uma cerveja mais fraca que a normal cerveja, e contém cerca de 3% de alcoól. Acabei por beber e pedir mais.... sem 7-up....
Depois da almoçarada oferecida pela Yazhuo, fomos de rapidinho agarrar um taxi para irmos ao Lao Che Tea House que é uma das mais famosas casas de chá em Pequim.
Chegádos lá, depois de um bocado perdidos, e reparamos que já estavamos atrasados para o show das 15h00. Mas mesmo assim ainda conseguimos mesa bem perto do palco onde iria haver um espectáculo de Ópera de Pequim. A música era completamente diferente daquilo a que os meus ouvidos estavam habituados. A frequência e o timbre das vozes dos cantores é tão alto que assusta o normal dos “ocidentais”. No início assustei-me um pouco. Mas, depois de me terem dito o que era a história da opera (cantado em chinês jamais teria decifrado por mim) consegui em seguir as aventuras do actor principal que se estava a haver em apuros com a sua mulher (brava como o raio) quando ela descobrui que ele andava metido com outra, que por sinal já se encontrava grávida..... bom, uma história similar ao que estamos habituados a ver nas telenovelas lation-americanas. O final é que foi diferente do típico. A mulher, brava, convidou a comcubina para viver lá em
casa para poder tirar a vida ao bebé e à comcubina na altura do parto. Um bocado arrepiante, mas estas óperas foram escritas noutros tempo. De certeza que na China, este tipo de coisas “jamais” acontecem.No final do show, e um bocado movido pela história da ópera, decidi comprar uma “pequena recordação”. Ao ver várias máscaras de personagens afixadas na parede, achei que gostaria de levar uma para casa. Na altura, pareceu-me que seria algo fácil de transportar. Mas, quando as senhoras da loja me viram com tão famosa personagem na história da China nas minhas mãos e sabendo que a máscara tinha sido toda pintada à mão.... e porque talvez levava comigo um dos artigos mais caros da loja, elas começaram a fazer um embrulho à altura da protecção necessária de tal obra prima. Embrulharam muito bem com papel e colocaram a máscara numa caixa de tamanho tal, que acho que deveria ter metade do tamanho da minha bagagem de viagem!! Qualquer coisa me dizia que ainda havia de ter problemas com aquela máscara......
Fomos embora dali.... tinhamos que regressar ao hotel a tempo de pousar as coisas e ir directo para a cerimónia de abertura da conferência.
Chegámos um bocado atrasados mas não perdemos muito. Deu tempo para ouvir as personagens mais famosas do mundo da Qualidade do Ar Interior (QAI) que, como seria de esperar, também eram as mais chatas. Depois disso, eu e o meu professor fomos para um banquet aonde conheci algumas pessoas amigas do meu professor. Aquilo acabou cedo e ainda bem.... eram 22h00 e eu já estava a abrir muito a boca de sono.... eram 10 da manhã na Pennsylvania e nas últimas 48 horas eu havia dormido 5 horas.

2 Comments:
Grande Carlos,
Infelizmente, só hoje tive oportunidade de dar uma olhadela nas tuas crónicas, mas como sempre estão um espectáculo....
Um abraço
Fred
A GAJA TAVA COM UMAS OLHEIRAS!!!!!!!!!!!
AMIGO, QUANDO TERMINARES OS ESTUDO DEDICA-TE A ESCRITA!!
ABRAÇO DO SEMPRE AMIGO E MALUKO:
CRAZY MANFROM SERRA DA FREITA
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